DIÁRIO DE PARIS
Crumb museificado
O MAM parisiense abre as portas à HQSERGE KAGANSKI
tradução CLARA ALLAIN
EMBORA ROBERT CRUMB nunca tenha sido um best-seller, todos sabem quem é esse ícone dos quadrinhos e da cultura americana. Colecionador de música dos anos 1920, contemporâneo dos hippies sessentistas californianos, residente no sul da França há 20 anos, Crumb nunca deixou de desafiar tabus sexuais e religiosos dos EUA "mainstream".
Acaba de sair na França uma farta coletânea de seus trabalhos com a mulher, a também cartunista Aline Kominsky-Crumb ("Parlez-Moi d'Amour, 35 Ans in Love", editora Cornelius), em que o casal detalha seu dia a dia intelectual, político e sexual.
Mas a maior novidade envolvendo o artista é uma grande exposição no Musée d'Art Moderne de Paris, com 700 desenhos feitos entre 1961 e 2011, em cartaz até 19 de agosto. É a primeira vez que o quadrinista entra no museu e é também a primeira vez que essa instituição expõe um autor de HQs.
Em entrevista à revista "Les Inrockuptibles", Crumb deixa claro sentimentos ambíguos: fica feliz por ser reconhecido, mas perplexo com a ideia de ser "museificado". Uma qualidade de Crumb é ele fazer questão de ser visto como artista popular, e não como artista com "a" maiúsculo.